segunda-feira, 30 de abril de 2007

Não é segredo

É um ditado americano: "What happens in Vegas, stays in Vegas".
Também se pode ver como uma regra com inúmeras aplicações.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Noitada

Chegou a casa de rastos. Comprovou que o álcool não traz amnésia. Recordava-se de tudo. Até do que tentara esquecer.
Deitou-se como estava, em cima da colcha. Não. Não podia vomitar em cima da bilros que a avó tanto estimava. Estimara... A avó… O Carlos... Se ao menos pudesse deixar de se lembrar, nem que fosse por uns instantes.
Adormeceu.

Ontem fui sair com a Adriana. Tinha que me falar do Zé.
Mas para que quero eu um homem que me queira. Eu só quero um que me ame, como eu amei o Carlos. Acho que já nem preciso de amar.
Não é nada disto que quero recordar.
Estava uma mesa reservada para “2 mulheres da minha vida”. Foi para onde a Adriana se encaminhou, eu segui-a. O Zé viu-nos. Sussurrou qualquer coisa a um dos empregados. O empregado com a bandeja e dois copos altos com bebidas, uma branca, outra vermelha, dirige-se à nossa mesa. Vermelha para a Adriana. Branca para mim. Ambas eram doces.
O Zé veio pouco depois. “Vermelho é paixão, branco é amor. Adorava partilhar a minha vida com vocês as duas.”
A Adriana entrou na brincadeira. Eu decidi que não ia falar. Deixei de os ouvir. Podia jurar que tinha visto o Carlos entrar. Perscrutei todas as cabeças que conseguia ver do meu lugar. O bar estava mesmo cheio. “Zé onde é o WC?” “Ali ao fundo.” Perfeito, pensei. Podia atravessar o bar todo com uma desculpa válida, até para mim.
Fui devagar para confirmar se tinha visto ou alucinado (já me aconteceu tantas vezes). Alucinei. Eu sei. Ele está em Faro.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O primeiro encontro

A infância de Maria não foi das mais fáceis. “Órfã de pais vivos”. Foi a primeira coisa que a D. Alexandra lhe chamou, quando a funcionária dos Serviços Sociais a levou àquela porta de rés-do-chão. Lembra-se que gostou da entrada em arco, do largo onde poderia vir a andar de bicicleta e jogar à bola. Não gostou da cara que a D. Alexandra lhes fez quando abriu a porta.
- Quer gostes ou não, é comigo que vais ficar, já que os teus pais não te querem.
E aquilo foi o que mais lhe doeu. Engoliu em seco as lágrimas que queriam sair. Decidiu que não ia falar. Elas que decidissem o seu destino. Ela já estava habituada a só fazer o que lhe mandavam.
Não ouviu mais nada. Ficou sentada a olhar em redor. Depressa percebeu que aquela janela ainda era alta para saltar, teria que usar a porta. Aquele armário na parede da entrada tinha a sua futura cama. As portas albergariam no eco a sua roupa. Dois vestidos, três camisolas, duas saias, duas calças e um casaco. Sapatos, só tinha uns. Apercebeu-se que, só por um triz, não tinha mais nomes que coisas.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Domingo de manhã

O primeiro Domingo em casa da D. Alexandra.
Desde a 5ª feira, a sua chegada, não tinha dito nada. Apenas obedecia mecanicamente. Não sabia o que dizer. Não sabia como se dirigir à D. Alexandra, a avó.
- Acorda Maria! Já tens a água pronta para o banho! Despacha-te. Não gosto de me atrasar.
Esse era um dos traços de carácter de D. Alexandra que Maria depressa percebera. A avó era sempre pontual e rígida com os horários. Tudo naquela casa era feito pelo bater do relógio. O acordar, as refeições, o deitar. Até as suas brincadeiras eram controladas pelo tic tac daquele relógio enorme de pêndulo. O barulho não lhe fizera confusão nenhuma. Nunca.
Mas num Domingo... No orfanato era o único dia em que podia dormir até mais tarde. E agora esse privilégio acabava de ser revogado.
Levantou-se sem reclamar. Foi tomar banho. Quando terminou dirigiu-se ao quarto e como já esperava, depois de dois dias, o hábito, um novo vestido esperava-a. Branco, lindo, flores amarelas. Vestiu-o. Depois voltou para trás. Também já sabia que tinha de ir tomar o pequeno-almoço. Aos Domingos a avó não comia? Calou a pergunta e comeu o pão com manteiga e bebeu o leite, simples.
Saíram de mão dada.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A escrivaninha

Sentou-se na escrivaninha que a avó lhe deixara. O seu último pensamento, melhor, as suas últimas palavras foram para ela.
"Voa para onde o vento te levar. Não te prendas por restrições ou convicções que não são tuas, faz as malas do teu coração e parte. Vai. Não olhes para trás. Deixa tudo. Uma vez é quanto basta para o abandono total, para a liberdade total. Parte.
Não fiques aqui, onde tudo te prende, onde te retrais. Vai. Não páres. Não te deixes ficar onde não sorris, apenas esboças o gesto que antevê esse sorriso que hás-de mostrar quando estiveres lá.
Não fales. Cala as despedidas e sai. Vai pela porta de mansinho, para que ninguém te tente impedir. Sabes que ficas se alguém pedir. Não queiras.
Desinquieta o coração que não aguenta as correntes e vai. O sentimento há-de calar. Só não páres de voar..."
Agora que a sua vida estava um caos, aquela mulher, o seu pilar, desfalecera. E agora? Como beber água de uma fonte que seca? Precisava ressuscitar a avó.
Decidiu que iria escrever num outro dia.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Thunderbolt & lightning

Está um dia lindo para quem gosta!
Por aqui desabou um temporal que assusta. Chove copiosamente. Troveja e há brindes ocasionais de relâmpagos.
Gosto moderamente!
Mas acho que o melhor cenário para assistir a este espectáculo que a natureza oferece seria uma casa perdida no meio da montanha. A lareira da sala rústica com lume a crepitar. Uma janela ampla. Uma boa garrafa. Boa companhia. E tempo para perder...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Caminhando...

Está feito! O primeiro passo impensado a caminho da loucura! Há dias em que a divina providência nos devia trancar em casa. O risco foi calculado e assumido, mas e agora, se a profecia não se cumpre, como vamos nós enfrentar a intempérie que se pode avizinhar? Não quero adivinhar o futuro, não quero assumir riscos de que não preciso para me atormentarem. Agora só me resta desfrutar do caos criado! E esperar que não perdure a incerteza!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Let's go!

Estou novamente num fim... Ou num novo começo!
A vida vai-me sempre devolvendo a esperança necessária! Já nem sei, se não fui eu a apanhar o vício de começar de novo! Gosto do entusiamo que se tem!
Mas desta vez é diferente... Será um começo com meia rede, algum medo, mas tudo pode correr bem! O que não deixa de ser assustador, felizmente, não tanto como se tudo pudesse correr mal!
Isto até pode soar estranho, mas quando se começa algo, por vezes, somos inimigos de nós próprios. Bem no fundo, acreditamos que o fracasso está à espreita. Vamos dizendo que somos capazes, mas ficando com a ideia que não somos...
Há voos com rotas traçadas, sem mapas definidos, só com destinos escolhidos!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Welcome sunshine!

... Humm... pois... Hoje é mesmo só isto! Nem parece Segunda-Feira! Está um dia lindo! O calor já se faz sentir e senti o cheiro a maresia logo pela manhã!

It's a beautiful day!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Sina II

O mau humor ficou para trás, haverá sempre uma infinidade de coisas que eu não irei compreender!

Sina

Hoje acordei para o lado errado da cama! Entenda-se, para o lado de fora! Apetecia-me ter ficado a manhã toda a preguiçar, em vez de deambular pela burocracia que impende sobre as cabeças de quase todos, como uma bigorna pronta a cair! Pois... Não ajudou a melhorar o meu humor... Passei boa parte do final da manhã a ouvir uma senhora ao meu lado a lamuriar-se ao telemóvel...
- Ninguém quer saber dos meus problemas... tu não sabes aquilo por que estou a passar! Ninguém faz ideia! Isto custa! Aquele desgraçado paga-mas! Não vou deixar que isto fique assim! Há-de sair-lhe caro!... Tu não me digas o que é certo ou errado! O que ele fez não se faz... Com uma qualquer... Se estivesses na minha situação fazias-lhe a vida num inferno, fazias o mesmo! Eu é que sei!...
Um bip anunciou o meu número, a minha vez. Abençoei aquela máquina.
Percebi boa parte do conteúdo... Mas não entendo o que motiva alguém a fazer estendal público com roupa íntima. Há uma tendência redobrada (acho eu, não encomendei nenhum estudo) para este tipo de atitudes em lugares públicos, normalmente, nas denominadas salas de espera.
Que interesse pode ter para mim ou para qualquer outra pessoa ali, a vida privada daquela mulher? (A não ser que eu fosse guionista de telenovelas venezuelanas e aí talvez tivesse tirado notas e indagado a fundo os pormenores sobre ela e o desgraçado e tudo o mais que pudesse ter apego para as audiências.)
O certo é que, quando saí, a senhora já partilhava a sua miséria com a senhora do lado, que abanava a cabeça em sinal de profundo pesar e compreensão.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Não ao romance!

Diz que não é romântico.
Numa conversa a dois, ela assume que é romântica. Ele já o sabia. Pelas mensagens que ela lhe deixa no espelho, pelas ridículas cartas de amor que lhe escreve. E faz tudo isto sem motivo ou data, apenas ela e ele sabem que por amor ela é assim.
Ele diz que lamenta não ser romântico... Ela sorri. Como pode ele dizer que não é romântico? Se a acorda todos dias com um beijo e palavras ternas sussuradas ao ouvido... Todos os gestos dele são carinhosos. Envia-lhe ridículas mensagens de amor durante o dia e já jurou amá-la eternamente.
Ela passa-lhe a mão pelo braço e diz: Não me importo que não sejas romântico!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

"Salsada"

Saí de casa a pensar escrever sobre ti... sobre nós. Tentar perceber o que me fez sentir assim. Tentar fazer-me algum sentido.
Mas quando cheguei frente ao monitor e estava em rosa, passeei pelos cantos que tanto gosto, por um motivo ou por outro.
Não pude deixar de me emocionar ao perceber que há despertares para as letras que chegam de mansinho mas que criam raízes profundas. Há saudades que corroem e impelem a escrever.
Quando se gosta de escrever tudo e nada são motivos para o fazer. Acho que o Phoenix (o "menino"- sim, nisso sou tipo mãe, acho que nunca vou admitir que cresceste - lindo que está a aprender a voar) também já percebeu isso...
E assim, perdi-me nos meus pensamentos - o que acontece com bastante frequência - e o que queria escrever é importante, mas não precisa ser escrito, basta que o sinta.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Bruxa?

Pudesse adivinhar o futuro...
Saber com antecedência os sorrisos e as lágrimas.
Adivinhar o que te entristece o rosto.
Calcular todos os passos para orientar o porvir.
Desvendar os segredos e mistérios que ainda não sei.
Ler nas estrelas ou nas minhas mãos...
Serge Bridy
E não o faria.