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Diário doméstico #2

Achei que em casa seria mais fácil escrever. Deixei de ter a desculpa perfeita que usava para apaziguar a minha consciência - falta de tempo. Mas a verdade é que não é bem assim.  Às vezes parece que quero partilhar uma ideia, mas ela volta a esconder-se atrás de um dos muitos biombos que o cérebro cria. E eu volto a ficar sem vontade de escrever.  Por vezes já tenho todo o texto delineado, sento-me, pego no computador e fico a olhar para o ecrã. Nada me passa para os dedos e fico sem escrever. Depois páro para pensar, será que quero escrever? Será que perdi a vontade e não adianta insistir? Será? Sou capaz de ficar algum tempo a pensar nesta ideia. Quero escrever? Sinto que ainda quero, mas não consigo imprimir-me a mesma paixão. A mesma vontade. Sentei-me há minutos. O telefone já tocou 2 vezes. Hoje não vou desistir! Atendi ambas as chamadas. Uma, curta por natureza, outra, encurtei-a para voltar ao teclado. Estou determinada a terminar um Egotismo. Hoje vou conseguir. Qu

Diário doméstico #1

Em casa... Deveria dizer-me assoberbada e fazer as delícias da minha mãe. Qual fada do lar? Talento doméstico q.b. Já organizei algumas coisas que reconheço estavam desarrumadas, outras dão um ar de casa com vida! Confesso que a primeira reacção foi arrumar tudo. Mas depois voltei a colocar algumas coisas fora do lugar.  Não consegui ver a casa toda alinhada. Ao fim de 2 dias ainda gozo o "dolce fare niente". Há que aproveitar!

Palavras

Cansaço. Seria a palavra de ordem de hoje.  Não consigo lidar com a incompetência alheia, principalmente quando me atrapalha o trabalho. Aceito que haja dias mais difíceis, mas todos os dias erros do mesmo género... Ninguém merece! Claro que se começa logo de manhã, pior vou ficando ao longo do dia. Se houve alturas em que me irritei e era fácil dizer tudo o que me passava pela cabeça, a repetição dos erros e a persistência em não verificar o óbvio causaram-me um certo cansaço e alguma indiferença. Esta semana apenas me custou um pouco mais, talvez porque já comecei a semana mal descansada. Mas como nem tudo é mau, amanhã já é sexta-feira. Estou a precisar do fim-de-semana. Por isso, é só mais um dia e há que encará-lo como tal.

Feeling good *

It's a new dawn It's a new day It's a new life For me And I'm feeling good Pois que a Primavera chegou e fugiu. Abril não está a trazer tantas águas como dita a sabedoria popular. E  os recomeços nem sempre acontecem quando esperamos. A vida, pura e simplesmente, continua. Não há rupturas. Não há cortes. Há sim mudanças. Evolução. Revolução. Mas continua a ser uma vida. A minha. Não adianta ficar à espera do amanhecer perfeito . A vida é o que é. Apresenta-se como pode e eu só tenho de viver como sei. Basicamente, acho que é isto. Ou apenas uma forma de dizer que tudo está a voltar ao "normal". Aos poucos retoma-se o que ficou parado. Muda-se o que não está bem. Cultiva-se a paciência para lidar com o que ainda não pode ser mudado. E, acima de tudo, continua-se. * canção de Anthony Newley  e  Leslie Bricusse

Cheiro de chuva

Adoro o cheiro de chuva acabada de cair. Adoro o som da trovoada, desde que eu esteja dentro de casa. Adoro um dia cinzento, mas prefiro dias de sol. Adoro tardes de domingo assim e saboreá-las do conforto do meu sofá.Adoro cheiro de pizza acabada de sair do forno. Adoro terminar o domingo em casa em paz e sossego, porque sei que ao virar da noite está mais uma semana que quero que comece bem. Adoro escrever por isso continuo a voltar.

...frágil...

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I magem: google.pt Perdi o interesse... dizem que perdi o interesse... as tarefas são executadas com o mesmo método, as palavras são ditas com o mesmo tom, tudo é feito do mesmo modo. Mas parece que deixei de transparecer emoção. Sei que sim. Não consigo empenhar-me. Não consigo apaixonar-me. Tudo se tornou morno, sem sabor, sem cor. Não deveria ser assim. Deveria estar a cumprir a minha promessa. Mas parte de mim ficou presa no passado, ficou refém da dor. Sinto-me fraca. Sem capacidade para lutar. Só quero deixar-me ficar. Em sossego, em reclusão. Continua a ser difícil. Fiz uma promessa. As promessas são para cumprir. Há que continuar.

Promessa de vida

Demorei. Tempo demais, parece-me agora. Mas foi o tempo necessário e, agora que escrevo, não sei se ainda o bastante. Descobri o medo. Muitas vezes achei que sabia perfeitamente defini-lo, mas acho que nunca soube efectivamente compreendê-lo. Quando decidiu entrar na minha vida, surgiu com eficiência. Deixou marcas profundas que o tempo se está a encarregar de atenuar. Fiquei com medo de viver. Fiquei com medo de sentir. Fiquei com medo de acreditar. Fiquei com medo de esperar. Ainda agora sinto que acredito, a medo. Vivo, na expectativa do que pode correr mal. No entanto, acredito. Cada vez mais. Com mais força. O medo vai sucumbindo.