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Caiu a noite...

Não consigo deixar de pensar no corpo tapado no passeio. Caído do prédio adjacente. Acidente ou um propósito de terminar a vida? Uma mini multidão ficou atrás da linha policial. Passei e parei por segundos, para tentar perceber o aparato. Vi o pano no chão e reparei que as pessoas olhavam para uma janela. Percebi. Segui o meu caminho. Não sem deixar de pensar no porquê da queda. Conheço os prédios, as janelas são altas... Na minha cabeça ficou a pergunta que nunca terá resposta. O que leva alguém a terminar a vida? Não consigo sequer imaginar o grau de desespero, de impotência, de inutilidade. Não consigo nem quero ter ideia de qual o limite que despoleta numa pessoa o verdadeiro desejo de morrer. O limite que impõe uma acção definitiva. Para aquela vida caiu a noite... Descanse em paz.

Fase*

Fases da vida. Sem arrependimentos.Tudo passa. Não deixa de ser a mesma vida. Não deixo de ser eu. Mas é tudo tão diferente. Quando era adolescente ouvi a frase "não ter capacidade de encaixe" aplicada numa conversa que não deveria ter ouvido. Desde essa altura passou a ser uma preocupação ter essa capacidade. Acontecesse o que acontecesse não ia deixar que a vida me derrubasse. Surpresas, sim. Choques, sim. Desilusões, sim. E daí? A vida é mesmo assim. Só vale a pena levar a sério o que é importante. O truque está em saber fazer distinção. *  fase   (grego  phásis, -eos , aparição de um astro, informação judicial)  s. f. Cada uma das modificações que se dão em determinadas coisas.

Compromisso

Imagem
Imagem: pesquisa Google Deixei a vida levar-me. Se em algumas alturas sabe bem, noutras, há que ter consciência que eu é que tenho de levar a vida. E hoje é um dia tão bom como qualquer outro para ressuscitar a vontade.

Insónia

Não durmo. A noite, quase toda em claro. Já pressinto luz lá fora. O silêncio é fabuloso. Desisto de tentar dormir. Vou à janela. Adoro os tons do céu, sei que o Sol não tarda. Acho que vou apreciar o nascer do Sol. Já faz algum tempo...

In & Out

É um entra e sai inconstante de publicações e presenças: Venho e não fico. Leio e não comento. Escrevo e não publico. Assumo-me incapaz de me decidir. Confesso-me um pouco perdida. Na escrita sempre me encontrei, mas desta vez acho que tenho medo de me voltar a encontrar.  O último ano teve o muito mau e o muito bom. Não cheguei a parar para pensar, para assimilar. Apenas fui seguindo, como me ensinaram, como aprendi. Agora que finalmente tenho tempo para parar, tenho algum receio de pensar. Sei que pelo menos numa área da minha vida estou, efectivamente, no caminho errado e isso é o que neste momento tenho que corrigir. Ainda não sei bem como, nem sei bem quando. Felizmente tenho tempo - não todo o tempo do mundo - mas tenho alguns meses até ser obrigada a tomar uma decisão. E vou gozar esse tempo. Não me vou apressar. Não me quero precipitar. 

Diário doméstico #2

Achei que em casa seria mais fácil escrever. Deixei de ter a desculpa perfeita que usava para apaziguar a minha consciência - falta de tempo. Mas a verdade é que não é bem assim.  Às vezes parece que quero partilhar uma ideia, mas ela volta a esconder-se atrás de um dos muitos biombos que o cérebro cria. E eu volto a ficar sem vontade de escrever.  Por vezes já tenho todo o texto delineado, sento-me, pego no computador e fico a olhar para o ecrã. Nada me passa para os dedos e fico sem escrever. Depois páro para pensar, será que quero escrever? Será que perdi a vontade e não adianta insistir? Será? Sou capaz de ficar algum tempo a pensar nesta ideia. Quero escrever? Sinto que ainda quero, mas não consigo imprimir-me a mesma paixão. A mesma vontade. Sentei-me há minutos. O telefone já tocou 2 vezes. Hoje não vou desistir! Atendi ambas as chamadas. Uma, curta por natureza, outra, encurtei-a para voltar ao teclado. Estou determinada a terminar um Egotismo. Hoje vou conseguir. Qu

Diário doméstico #1

Em casa... Deveria dizer-me assoberbada e fazer as delícias da minha mãe. Qual fada do lar? Talento doméstico q.b. Já organizei algumas coisas que reconheço estavam desarrumadas, outras dão um ar de casa com vida! Confesso que a primeira reacção foi arrumar tudo. Mas depois voltei a colocar algumas coisas fora do lugar.  Não consegui ver a casa toda alinhada. Ao fim de 2 dias ainda gozo o "dolce fare niente". Há que aproveitar!