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Ao Deus dará...

Este blog tem andado ao abandono... Aos caídos. Não sinto a vontade. Aquela ânsia que me consumia e só passava com um teclado e ecrã ou papel e caneta. Nada combina melhor do que papel e caneta. Pelo menos, não quando quero escrever sobre a imensidão de devaneios que me passam pela cabeça. Mas quando o trivial se abate, aí não preciso de rascunho e o mini teclado do smartphone resolve. Já pensei acabar com este cantinho tantas vezes quantas não o fiz. O mal foi ter-lhe dado nome e feito deste espaço o meu espaço. Assim, tornei impossível matá-lo. E sinto-me compelida a voltar. E volto. E escrevo sobre a não culpa de não escrever. Não sou escritora. Não tenho a obrigação diária de produzir prosa nem poesia.

Noite

Mais um dia que acaba. Sinto o cansaço apoderar-se de mim enquanto teclo no mini ecrã. Sei que ando a correr no meu limite, mas não consigo abrandar.

Early morning

Sem sono. Ou já sem vontade de dormir. Contemplo as paredes do quarto, o dia que ainda não despontou em plenitude e quem dorme ao meu lado. Dorme sereno, praticamente imóvel. Respiração tranquila. Pergunto-me o que sonhará a cada movimento ocular. Mas não importa. Não verdadeiramente. O mundo dos sonhos pertence a cada um. Ainda é demasiado cedo. Preciso voltar a adormecer. Talvez a cadência da respiração profunda que oiço possa ritmar a minha e eu volte a dormir. A vida consegue ser tão simples, quando deixamos. Sorrio e volto a adormecer.

Mar

Sempre fui de impulsos. Geria a minha vida no turbilhão. O desassossego sempre me apaixonou. Pensava não ter sido talhada para mar de calmaria. No entanto, a vida foi-me moldando. No rodar do tempo, quem eu cria ser um desassossego que mais uma vez me iria impulsionar a virar a vida de pernas ao ar, tornou-se o meu sossego. Virei a vida, sim. Mas valeu a pena. Vale a pena.

Back home

Sempre que regresso sinto alguma necessidade de mudar. Desta vez foi um bocadinho maior, mas fiquei mais confortável. Sinto que o tempo passa a correr. Há momentos que passam assim e preferia que passassem mais devagar. Não os aproveito devidamente e depois fico com aquele sabor a pouco... Horas que passam a dias, que nem dou conta de passarem. Já lá vai um tempo, desde que parei. Parei realmente para pensar. Há momentos em que apenas aproveito, os sorrisos, os olhares. O tempo não pára... Lembro-me de como comecei esta aventura... a vontade de passar para o lado de fora, o que estava aqui dentro. Já percorremos um longo caminho. O Egos já teve mais atenção, mais cuidado. Visitava-o todos os dias, várias vezes ao dia. Por razões de tráfego num escritório tive que o realojar ... Mas voltei, porque deixou de ser necessário e aqui será sempre a casa primeira. Depois as visitas foram diminuindo. Posso ser culpar a falta de tempo, outros objectivos, mas o facto é que fui deixando de...

Só?

Demasiado tempo. Não sei como acontece, mas perco-me em pensamentos que não vêem a luz do papel nem do ecrã. Por vezes, sinto tanta falta de escrever com regularidade, de escrever com vontade. Sinto falta do meu processo de estar só. Já nem sei o que isso é... Não sei como o recuperar, mas quero. Quero voltar a encontrar o meu eu "só". Aquele que me fazia sonhar o impossível, que me fazia ser criança. É difícil! No entanto, não é impossível. ..

No mês passado

Completei mais um ano de vida. Já são alguns. Mas gosto dos meus aniversários. Este foi mais em família. Bolo com sandália, ao gosto do meu consumismo! Os copos com os amigos tiveram que ser adiados. Sem stress! Os amigos não fogem. Mas alguns afastam-se com o tempo, com a vida, com escolhas. E acho que é suposto ser assim... Da infância não ficou nenhum. Da adolescência ficou uma das melhores! Da faculdade, uma mão cheia de gente fabulosa! Pessoas com quem partilho silêncios, risos e lágrimas. Almoços, lanches, jantares. Sms e telefonemas, gostos e comentários no fb. Das chafaricas por onde passei, o privilégio de conhecer mais umas quantas pessoas com quem gosto de estar. Portanto "so far so good". Entre altos e baixos, coisas boas e coisas más e tudo o resto que fica no intermédio, que é muito, o saldo continua a ser positivo. Acho que isso é o que interessa.