segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Dark place

Sempre tive um lugar muito negro em mim. Nunca o neguei e nunca o iluminei. Aceitei que faz parte de mim ainda na adolescência e assim cresci.
Há uns anos achei que o ia iluminar à força. Que valia a pena.
Os anos passam e percebo como fui tola! Então lá mudo algo que sempre fez parte de mim. Não mais do que se mudam as fases da Lua. Em mim a Lua Nova não é cíclica nem sequer recorrente, mas está ali.
É a minha outra à espreita dos momentos de fraqueza minha. Sai de espada em punho pronta a lutar sem olhar aos mortos e feridos que deixa pelo caminho. Defende-me cegamente. E ocupa-me por completo até achar que já não preciso. Aí deixa-me em luz. Mas despojada de tudo o que tinha e pronta a começar de novo.
Sinto-a perto, a respirar em mim. Pronta. Mas desta vez eu não estou. Parte de mim não a quer de volta. Parte de mim não quer começar de novo. Parte de mim é feliz.
Mas que faço eu com a que não é? Que digo eu para apaziguar a parte que quer a outra? Que faço para adormecer a dor que chama pela outra?
Não sei. Até lá adormeço à chorar baixinho na esperança de nem eu me ouvir e conseguir continuar...