quarta-feira, 30 de julho de 2014

Memória de uma lição

Nada cai do céu (via de regra). E não faz mal. Gosto de me esforçar.
Gostei do meu primeiro trabalho de Verão. Tinha 13 anos e foi num arquivo. A tarefa era empacotar os livros e identificar as caixas para a mudança para a Torre do Tombo. Foram 3 semanas árduas. Conheci gente nova. Diverti-me mais do que devia a ler aqueles livros. Ganhei uns trocados que me pareceram uma fortuna. Comprei umas calças de marca e pouco mais. Valeu a pena.
Os meus pais nunca teriam possibilidade de as comprar. Apesar de achar um desperdício de dinheiro, a minha mãe não se opôs a que gastasse quase tudo quanto tinha ganho.
Quando saímos da loja, perguntou-me se estava feliz. E eu respondi que sim.
- Ainda bem. Agora imagina que eu e o pai fazíamos o mesmo... Se gastassemos o ordenado assim todo de uma vez como é que vivíamos durante o mês? Comida, roupa e despesas...
Não respondi. Quis entrar na loja para devolver as calças.
A minha mãe não deixou. Disse que eu tinha ganho o dinheiro e tinha o direito de o gastar como quisesse e que ainda não tinha responsabilidades. Mas que era importante ter a noção das coisas.
Desde esse Verão sempre trabalhei nas férias. Continuei a gastar o dinheiro  coisas que eu queria e os meus pais não podiam comprar.
Quando fiz 16 só pensava nos 18, em tirar a carta e comprar carro. A partir desse Verão comecei a poupar. Os meus pais pagaram a carta. E em 3 anos eu tinha conseguido juntar dinheiro para um carrinho, velhote, mas o meu primeiro carro!
Nunca me esqueci do que a minha mãe me disse em plena rua Augusta.
Há lições que ficam para a vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Animus publicandi

Tempo, ou a falta dele, está longe de ser desculpa. Mas a vontade foi faltando aqui e ali. Dispersei-me. Hoje a vontade voltou de mansinho. Há demasiados sorrisos à minha volta para que os ignore!
São os sentimentos, não os pensamentos, que mais me fazem escrever. Estou bem, feliz, em certa medida em paz. Mas não totalmente. Ainda não é altura de "descansar em paz"!
Anseio ainda por um novo rumo... Deverei dizer um novo afluente... Acho que será mais isso. A minha vida é um rio e está no leito certo para chegar até ao mar. Mas ainda faltam certas coisas, que terei de buscar afluente acima pois dificilmente surgirão na corrente. E é assim que faz sentido! Que me faz sentido.
Deixei de ter insónias, de escrever noite adentro. O diário está em branco, largas páginas em que muito ficou por escrever. O Egos também ficou em silêncio.
Hoje deu-me a vontade e regressei. De vez? Talvez...