sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Sombra...

...de mim
já não existes
certeza de quem é
não sei ver o fim
tanto mudou
não consigo acreditar
tentei negar a dor
apagar-te dentro de mim
esquecer...

Enganos

Nas minhas mãos sinto o vazio da tua presença
olho e sinto a falsidade do teu sorriso
a fraca luz que te ilumina o olhar

Mecânicos os teus gestos
Falsa a minha cegueira

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

First dance

- Come... dance with me.
- No. I don't know you.
- You will...

Os joelhos dela tremiam, sem saber porquê... A presença dele mudava-a a cada segundo.
Estranhos pensamentos percorriam-lhe a mente. O coração batia desritmado, queria saltar-lhe do peito. Entregar-se àquele desconhecido. Sim, era isso que queria.
Não era ela. Aquela não podia ser ela. Sempre tão sensata, tão racional, tão fria...
E agora, ali estava ela pronta a deixar-se guiar por ele.
Não percebia porquê. Não era atraente, não trocaram mais do que meia dúzia de palavras. Era magnético. Isso, era a palavra que procurava... Magnético. Inevitavelmente atraída.
Nem sabia que som ouvia. Movia-se com ele, nada mais.

Num segundo ficaram sós. Numa sala que estivera cheia. Podia jurá-lo.

Não pretendia pensar nisso. Era estranho... assustador... e, no entanto, fascinantemente delicioso...
Entregou-se... não como fazem os amantes... não havia ali lugar para o amor... Aquilo era outra coisa...

A música voltou... continuavam a dançar...
O seu corpo ainda tremia. Estava eurófica.
Não. Sonho, não.

Ele beijou-a no pescoço.
- It was a pleasure...

Ela ficou ali... sem saber... apenas soube naquele momento que a sua vida iria mudar.

Dance with the Devil and the Devil won't change, but it will change you.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Ghosts from the past

E quando um quase desconhecido te envia um e-mail, tentas descobrir quem é...
Ao fim de algumas buscas reconheces...

relembras o doce aroma do ar
o sabor a verde do olhar
o toque titubeante do sorriso
e queres voltar a voar

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

...

os teus sentidos são o meu refúgio
o teu corpo o meu mar
no teus lábios navego ao sabor do teu olhar

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Despertar

Acordei sobressaltada com o barulho estranho, não era o despertador, não era ninguém à porta...
Levantei-me... tentei ouvir de onde vinha o barulho, dirigi-me à janela... no meu varandim um pássaro cinzento debicava furiosamente na madeira da janela... Esse debicar foi o que me acordou.
Abri a porta determinada a enxotá-lo, queria voltar a dormir.
Mal a abro, o pássaro entra-me pelo quarto, pousa na minha cama.

Pisquei várias vezes os olhos... belisquei-me...

Na minha cama estava sentado um ser estranho, mas belo, tinha uma face serena, asas brancas, trajava de negro.

Não podia ser... há coisas que não se vêem neste mundo...

Mas ali estava.
- Senta-te. Não fiques aí especada a olhar para mim. Quero conversar.
Meia atordoada, obedeci. Sentei-me.
Olhou-me como se tentasse ver alguma coisa que não se via e continuou.
- Tenho-te ouvido todas as noites antes de adormeceres... Leio também o que escreves...
- Tu o quê?!
- Ouço o que pedes, leio o que escreves. Não repito.
- E foi por isso que vieste?
- Sim e não.
- Vais explicar melhor ou tenho que adivinhar?
- Maneiras menina... maneiras...

Não pedi desculpa. Fiquei a olhar para aqueles olhos de um cinzento quase sem cor e tão expressivos.

- O que a razão te pede é fácil de fazer. O que o coração te pede exige muito mais de ti.
Mas só tu podes escolher. Ninguém te vai ajudar.
- Não foi para isso que vieste?
- Não.
- Então não és um anjo?
Uma gargalhada ecoou pelo meu quarto.
- Não, não sou um anjo.
- És um demónio?
Um sorriso malicioso percorreu-lhe os lábios...
- Também não...
- Não pergunto mais nada.
- Errado... Estou aqui para responder.
- Ao quê?
- À tua pergunta...
- Que pergunta?
- À tua pergunta... a resposta sou eu... nem Bem nem Mal... Vida.
Desperta!

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Caminhando...

Se assentar o sonho na espuma do mar, esse sonho desfaz-se no momento em que as ondas embatem na rocha...
Mas não é por isso que se deixa de caminhar na praia...

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Tão perto

Numa noite de Lua Cheia meti-me a caminho rumo ao Norte.
A Lua fez-me companhia até amanhecer.
Estive tão perto de ti, mas não pude fazer o desvio que o coração me pedia...
Já escrevi que há distâncias sem perdão... Não é verdade...

sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Casablanca "remake"

"As time goes by" é uma música que não dá para não adorar...
É pena que o cenário não me permita dizer:
-Play it again...

Há pessoas que têm histórias estranhas assim, à medida que o tempo passa, sem começo, com muitos momentos, sem fim...

Se qualquer semelhança com a ficção for pura realidade, uma coisa posso dizer:
- We'll always have Pariz.

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

Sonho mentiroso

Sonhei que te encontrava, por acaso, na rua - o que, por cá, é improvável - o meu coração disparou, sorri como se o brilho do Sol me iluminasse.
Olhámos-nos com surpresa e agrado.
Falámos imenso.
Matámos saudades.
Amanhecemos juntos.

Acordei...
Olhei para o lado...
Fiquei triste por não te ter ao meu lado...

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Estradas...

Uma pessoa habitua-se a conduzir em estradas rectas, com o tempo a aceleração é natural. Surge a primeira curva apertada e mesmo travando, o coração acelera quando se começa a travar, derrapa-se na curva... Não houve acidente, sai-se ileso... Apanha-se o gosto por derrapar?

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Insólito

Mudei-me, recentemente, para uma aldeia aqui bem perto da cidade.
A mudança foi causada pela busca de sossego. Quero uma vida mais calma.
Conheço todos os meus vizinhos.
Todas as pessoas se cumprimentam na rua.
As pessoas ainda andam de noite na rua.
As crianças brincam na rua, andam de bicicleta e jogam à bola.
Todo este cenário a 10 minutos de Lisboa fez-me trocar o centro da cidade pela aldeia!

Ontem de manhã quando cheguei ao carro, reparei que estava aberto, o porta-luvas também...
Fui assaltada!
Páro... olho mais atentamente para o interior do carro e reparo que tudo o que estava no porta-luvas, cd's, auricular, documentos, estava arrumado em cima do banco do pendura... nada tinha sido levado.
As fechaduras não foram estragadas. Os vidros não foram partidos.

Fiquei intrigada... Como é normal ali, para saber novidades dirigi-me ao café, estavam já lá algumas pessoas a debater o assunto. Vários carros foram abertos durante a noite, nada foi levado. Fiquei a saber que há umas semanas houve uma ligeira quezília bairrista, ficou ameaça de retaliação...

O resultado foi a abertura dos carros!
No fim de contas, não houve prejuízo algum.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Não 'tá fácil

Eu bem tento pensar noutras coisas... Mas não consigo.
Agora sempre que me permito divagar, começo e acabo a pensar em ti.
É complicado ao fim de tanto tempo em que só me permiti brincar.
Normalmente, quando sinto a vida a fugir ao meu controlo, a primeira opção é fugir.
Como diz o meu grilinho falante: "O problema és tu!".
Até aí, eu já sabia!
O que não sabia, nem contava, era que desaparecesse a vontade de fugir... Acho que, lentamente, está a ser susbtituída pela vontade de ficar nos teus braços, perdida no teu sorriso, encantada nas tuas palavras...
Como é que isto me foi acontecer?
Achei que primeiro precisava esquecer-me, perder-me, para depois me encontrar... Dizem que é assim... Não é!
Não estava perdida. Não estava esquecida.
E isto não está fácil... nada fácil!

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Nonsense post

Se eu disser que tenho um telemóvel que gagueja ninguém me vai entender...
Também não sei quero que alguém me entenda, porque é algo que não quero perceber.

Sei de um diabinho a quem quero dar gelado de caramelo para lhe agradecer ter prevalecido sobre o anjinho.

E porque azul fica bem a toda a gente hoje escrevo a azul e agora porque me apetece também escrevo a amarelo porque é uma cor que te fica bem.

Sou... sortuda e azarada...
louca... e apaixonada...

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Ainda com música...

Estava a escrever sobre outra coisa, mas acabei por parar, porque passou por aqui um automóvel com o sistema de som, provavelmente, perto do máximo.
No 2º andar consegui ouvir "...life's a rollercoaster...", este excerto sei que é de uma música do Ronan Keating (Rollecoaster, ou coisa parecida).

Automaticamente pensei, é bem verdade!
Tem altos e baixos e "loopings"!

Eu acho que devo ter tirado bilhete para uma com muitos "loopings"!

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

And back... Again!

"... o tempo também se engana nas casas onde mora..."*

O tempo não se enganou.
Eu enganei-me.

Foi pouco o tempo que o meu coração precisou para se apaixonar. Depois, não sei como, aparecerem os sonhos que eu sabia não poder realizar. Achei que o melhor era parar de escrever...

Não consigo.

Sempre que tentei escrever aparecerem-me imagens que não posso sonhar, mas que também não quero negar. Não sei se ainda estou apaixonada, se o tempo aí também se enganou ou se me enganei.

Tudo e tanta coisa que não sei... Talvez o tempo se volte a enganar!

*ouvi este excerto da música há bocadinho numa livraria onde passei, sei que é de uma música do Luís Represas, mas não sei qual.