sexta-feira, 30 de junho de 2006

Asas

voar
abrigar
refúgio de quem é pequeno
liberdade de quem sabe voar

já quis asas
para voar
para me refugiar
para me esconder
para fugir

agora já não

a capacidade de voar no sonho
o refúgio no teu colo
o esconderijo nas minhas paredes
a fuga deixou de ter sentido

Dou um passo e depois outro...
Os passos seguros tornaram-se as minhas asas.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Por uma noite...

queria fechar o mundo lá fora
manter-nos longe dos olhares indiscretos
queria descobrir se o que sinto não é ilusão
poder acordar sem o peso do depois
as consequências não ficassem
nem para ti
nem para mim
não ficassem constrangimentos dos outros
não ficasse qualquer registo da vida
nem que fosse por um breve instante...

sexta-feira, 23 de junho de 2006

New freedom

Hoje terminei uma fase na minha vida.
Sinto-me feliz!
Agora abraço o mundo do começar de novo! Não um começo virgem. O que se aprende não se esquece. A experiência vivida marca-nos, ensina-nos, faz-nos crescer. Um começo inocente.
Volto a dar os primeiros passos sem rumo definido. Mas acho que isso agora não importa. Quero saborear este momento de benção tranquila, de liberdade.
Posso voltar a escolher. Voltar a delinear rumos, planos, projectos e sonhos.
O futuro é fabuloso!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Can't take my eyes of...

É sonho
fantasia maior
encantar-me com esse castanho dos teus olhos
brincar nesse ouro que é o teu cabelo
perder-me nesse sorriso alvo e certo
deixar-me flutuar ao sabor da corrente até esse lado do oceano

manténs o ar de menino
o olhar maroto que me deixa "speechless"

good boy/bad boy
sabes como ninguém dosear

essa forma de cativar

deixas que fique presa em ti
sem te entregares
a tua arte é a tua maior paixão

também essas motivo da minha admiração
a tua arte
a tua entrega e paixão

dar-te-ia o meu mundo...

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Choveu prata

Um poeta pode escolher entre voar como um anjo ou ficar nos pormenores à espreita como um demónio.

Não duvido quando estamos perto.
Duvido na ausência.
Mas que importância pode ter a tua ausência senão aquela que eu lhe der?
Eu sou crente nos momentos e em nada mais que os momentos que se tem.
A tua ausência não me causa saudade, mas estranheza. Sei sempre que te volto a encontrar. Nunca chegas a partir. Mas também nunca chegas a voltar. Não tivémos um encontro. Não nos chegámos a desencontrar.
Acho que é por isso que não se consegue definir nada entre nós. Não que isso nos importe. A nenhum de nós.
Apenas a estranheza de cada momento, de cada telefonema... Até nas mensagens se nota... Por vezes telegráficas, outras surpreendentes. Gosto de receber ambas.
Não espero definição. Há "coisas" que não sofrem definição, só podem ser sentidas, vividas. Como a chuva de prata que cai...

quarta-feira, 14 de junho de 2006

my letter

Escrevi-te ontem... novamente.
Sei que fico sem resposta. Amontoam-se as minhas cartas não respondidas por ti.

Se pensar sem que os meus sentimentos interfiram talvez consiga perceber porquê. Mas não quero. Nada te pergunto que não possas responder. Só quero saber de ti. Nada te peço. Entre nós nada mais haverá. Sei isso. Sinto isso.
Custa escrever uma linha para dizer "Estou bem".
Será assim tão estranho que aceite que o que nos unia acabou, mas não aceite a tua distância fria que se torna cruel.
Nada espero de ti, a não ser a minha carta.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Página Solta

Podem os momentos de magia dar à ilusão mais do que ela é?
Cada página escrita é um compromisso?
Pode ser memória?
Pode ser sonho ou futuro?
Um presente que se vive a cada dia?

quarta-feira, 7 de junho de 2006

A Laranja Mecânica *

Um ser humano, por definição, é dotado de livre-arbítrio.
Pode escolher entre o bem e o mal.
Se só puder realizar o bem ou só o mal, então é um objecto mecânico – tem a aparência de um organismo adorável com cor mas de facto é um brinquedo mecânico, controlado por Deus ou pelo Diabo.
É inumano ser totalmente bom ou ser totalmente mau.
O importante é a escolha moral.
O Mal tem de coexistir com o Bem, de modo a que a escolha moral possa operar.
A vida é sustentada pela oposição.
É possível que o mal seja mais atraente – diz-se que devastar é mais fácil do que criar.

Mas o que aconteceria se as pessoas fossem forçadas a ser boas?

O dom humano básico do livre arbítrio não deve ser negado.
O mal, ou o mero errado, produtos da livre vontade devem ser punidos para que se viva em sociedade, mas a faculdade em si não pode ser afastada.
O homem foi unido por Deus, embora tenha levado algum tempo.
O que Deus uniu, embora seja uma “unidade profana” do cérebro humano, o homem não separe.

A bondade é uma opção.

* Anthony Burgess

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Sms

- Good morning! Amanhecer na praia só seria melhor se estivesses aqui comigo!
- Enganaste-te a enviar msg. Verifica o n.º.
- Não foi engano. Queria mesmo que tu estivesses aqui.
- Não acredito. Não voltes a responder. Se me quisesses, não tinhas ido embora.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Vida

Começa por milagre. É dádiva dos Céus!
Custa-me sempre que vejo alguém desperdiçá-la. Dói-me quando alguém tenta ou sequer pensa em terminá-la. Sou amante da Natureza. E Natureza é Vida!
Não consigo entender os que se perdem, fartam e desistem. Eu acredito que sempre é tempo de mudar. Sempre é tempo de começar de novo. Talvez seja idealismo...
Mas quando se recusam ou não se reconhecem força para mudar, acho que o fazem por comodismo ou cobardia. Porque arriscar implica sempre poder perder. Mas nestes casos, perder o quê? Bens? Posição? Vidas de que não se gosta?
Vale a pena perdermos-nos a nós?
Ficar conformados com uma vida que não se quer, em vez de a tentar mudar?
Na Natureza o mais pequeno animal dispõe-se a lutar e até morrer pelo seu espaço. É o instinto de sobrevivência.
Nós, muitos de nós, ao primeiro sinal de ameaça, de perigo, mudamos o rumo. É mais fácil do que lutar e arriscar. Será?
É mais fácil viver uma vida que não se quer?
É mais fácil desistir?

Como se pode chegar tão fundo nas trevas que impeçam de ver uma única luz que justifique viver?
Como é possível que as trevas ceguem ao ponto de não nos vermos?
De não percebermos que a luz que mais brilha é a nossa?
Como se pode estar disposto a morrer?
Quando se tem saúde, a vida pela frente e tudo para se poder mudar.
Eu não entendo.

A cada momento de fraqueza, o espírito vacila. Sempre que nos reerguemos, o espírito fica mais forte.
Quem não caiu já várias vezes? E se voltou a levantar? Como pode cansar-se de cair, de lutar? Se sabe que sempre se levantou. Sempre venceu.

Percebo o desespero. Percebo a frustração. Percebo o cansaço. Percebo a fraqueza. Não percebo a vontade de morrer!

Todos temos sonhos irrealizáveis. Todos temos sonhos que sabemos não conseguir concretizar.
Mas a Vida é dádiva! Todos os esforços para A viver não são demais. Não há limite para a defesa da Vida. Como pode em alguém não prevalecer o instinto de sobrevivência? Como não brota a vontade de se agarrarem à Vida com unhas e dentes?

Ninguém tem uma vida perfeita. Se assim fosse, nada havia por que lutar. Nada daria a sensação de ganhar, de conseguir, de melhorar.
Vida é Evolução, é Luta, é Amor. O Amor primeiro a nós próprios.
O orgulho em ser.
O orgulho em viver.

Como queria que pudesses estar aqui. Para dizeres todas as palavras que eu não consigo.
Tu que sempre soubeste as belas palavras que mudam rumos.
E são essas que agora preciso para que pudesse ver como brilha, como ilumina a vida que quem a ama.
Para que não estivesse disposta a apagar essa luz...

Tentativa

Tentei... Juro que tentei esquecer-te com todas as forças que julguei ter. Até tentei camuflar o que sentia. Seria tão mais fácil. É dura a realidade de não te ter. Teres partido foi uma crueldade que não superei. Teres voltado, foi imperdoável. Sabias que ias voltar a partir. Entre as partidas e os regressos eu fico assim, borboleta ferida que não consegue voar.