terça-feira, 26 de outubro de 2010

Open air / Cast aside

De um mundo de coisas sobre as quais achei que iria escrever dou por mim a pensar em tudo o resto...
Mais uma vez renego o que achei querer e custa-me. Custa-me fazer o mesmo percurso de renúncia, de entrega. Algo pelo qual me esforcei. E agora, sinto novamente que foi em vão...
Ao final do dia, a rádio foi portadora de uma boa notícia. No Verão, volto à Bela Vista.
Porque é que me hei-de sempre prender aos pormenores? Às pequenas coisas que não são ditas, que não são escritas, que não são feitas?
Não consigo ter a perspectiva simples da vida. Não me consigo cingir ao preto e branco. Não consigo. Não sei. Gostava de saber. Gostava, porque sei que tudo seria mais simples. Tudo aquilo que eu complico. Gostava de não ver tantos tons de cinzento. Gostava de ser mais simples, ter pensamento binário talvez. Ou talvez não.
Certo e seguro é que gostava de não ficar tão triste com pormenores que serão sempre insignificantes, mas que me fazem diferença. Talvez por comparação. Talvez por me sentir num mundo à parte. Talvez por estar numa posição que ainda não me é confortável. Ainda não me encontrei neste novo lugar que ocupo. Duvido. Hesito. Caminho. Ainda assim, hoje e sempre, caminho passo a passo. Com mais ou menos cor e mais uma ou menos uma tonalidade de cinzento hei-de continuar a pintar a minha vida, leve o caminho onde me levar.

sábado, 9 de outubro de 2010

dá-me amor ou ódio *

dá-me amor ou ódio
faz ou desfaz o meu coração
dá-me amor ou ódio
salva-me ou mata-me de paixão
se o amor é fogo
atira-me à fogueira sem piedade
se no amor há um dono escraviza-me até à eternidade
porque é o tempo é feito de ti e mim e tudo o resto é demais
amor ou ódio
tanto me faz
deus e diabo querem assim
assim será
dá-me amor ou ódio
beija-me corta-me na tua boca
dá-me amor ou ódio
queima-me molha-me sem roupa
se o amor não se vê entra no escuro sem ter medo
se o amor não diz porquê nunca questiones seu segredo
porque o tempo é feito de ti e mim
e tudo o resto é demais
amor ou ódio
tanto me faz
deus e diabo querem assim
assim será
porque o tempo é feito de ti e mim
e tudo o resto é demais
amor ou ódio
tanto me faz
deus e diabo querem assim
assim será
porque o tempo é feito assim
e tudo o resto é...

*Dá-me amor ou ódio, Mundo Cão

terça-feira, 31 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

The dark (in)side

Resisti. Evitei escrever. Escondi-me. Escondi papel e caneta. Fugi do ecrã em branco. Fugi de mim. Recusei a escuridão que se aproximava de mansinho. Neguei a solidão que parte de mim sente. Mas numa sala cheia de gente e ruído, assumo a minha verdade. Sinto-me só. Em momentos. Em sentimentos. Sinto a escuridão em mim. Envolve-me no seu manto de silêncio. Abraça-me e embala-me nos momentos de medo. Descobri que parte de mim tem medo. Receio do futuro. Receio de não estar à altura. Recolho-me em mim. Refugio-me. Enrolo-me no meu silêncio. Em mim. Sempre fui só. Sempre dependi de mim. Já houve uma altura em que assim não foi e sofri. Sofri por errar. Errei. Assumi e segui. Não quero continuar assim. Não quero este lado que me isola do mundo. Que me isola de mim. Não quero mais este silêncio. Custa-me não calar o que sinto. Custa-me assumir fraquezas, receios, anseios. Dói-me ver a sombra. Calo. Silencio. Sigo o caminho. Há-de sempre ser o que for.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Foi só a brincar

Gosto de escrever sobre amores e desamores. Gosto de escrever sobre amizade e amigos. Há uma amiga que já faz parte da minha vida desde a adolescência, já faz parte há tanto tempo que chamar-lhe amiga acaba por ser limitativo. Passam anos com a mesma leveza que passam as horas quando nos juntamos. Falamos de tudo. Sabe-me sempre bem o tempo que passamos juntas. Ela sempre conseguiu fazer-me ser melhor pessoa, do que na realidade sou. Hoje não me contive, mesmo depois de ter dito que o faria. Mas é uma circunstância apetecível por demais para me remeter ao silêncio.
Enfim, para mim, resume-se numa linha.
Rapariga conhece rapaz... o resto, o tempo o dirá.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Linha directa?

- Olimpo call center, bom dia!

- Bom dia! Posso falar com a Servilia, por favor?

- Só um momento, vou passar Sophia.

- Olá Sophia! Tudo bem?

- Olhe eu acho que sim. Mas quero certificar-me. da outra vez falou-me em pedidos trocados, erros de registo... Enfim... Não estou a reclamar. Quero é certificar-me que desta vez sossegam aí em cima porque eu quero ter sossego no desassossego que me enviaram.

- Ah Sophia... Já vi que decidi bem! Então seja feliz e aproveite. Eu por aqui vou ver se não mexemos mais. A partir daqui fica por sua conta?

- Pronto! Era só isso que queria confirmar. Ah e obrigada!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Plagiar ou não plagiar?

Registei o facto de estar a alimentar um outro blog com alguns dos meus textos, sem qualquer pedido prévio ou póstumo, ou sequer menção de serem cópias.
Primeiro fui invadida por uma sensação de raiva, de ultraje, e passo a redundância, de verdadeira invasão.
Procurei todos os textos meus e deixei no comentário, para moderação, o link original.
Depois acalmei-me e senti tristeza.
Porque um blog onde se escrevem textos na primeira pessoa é obviamente de carácter pessoal, íntimo.
Eu escrevo o que vivo, sinto, penso. Falo de mim e das minhas sensações, das minhas impressões, dos meus pensamentos, dos meus sentimentos.
Já transcrevi textos, canções... Já traduzi, muito livremente, letras de músicas que gosto e que me significaram algo. Mas dou os créditos aos autores que tiveram a ideia original. Porque é o correcto a fazer, mas também porque gosto de assumir o que é meu e o que não é.
Gosto de emoções, sensações, pensamentos e sentimentos em primeira mão.
Gosto de viver a minha vida e partilhar algumas histórias, alguns momentos.
Por isso, não gostei de ler alguns textos, que eu escrevi, dedicados a uma outra pessoa, que não os inspirou e que seguramente merecerá mais do que emoções em segunda mão.
Não gostava que me fizessem isso e não o faria a alguém de quem gostasse.
Eu escrevo porque sinto, porque penso, porque quase sempre é mais forte do que eu. Bem ou mal, sinto e escrevo.
Já parei algumas vezes. Volto sempre. Porque gosto de escrever. Porque gosto de sentir que sinto.
O que mais me custou foi ver fragmentos de uma história minha, muito minha durante muito tempo (porque não podia sequer ser partilhada senão aqui) serem usados sem mais nem menos. Sem nexo num emaranhado de plágio sem sentimento.
Basicamente "senhora" o que tenho para lhe dizer é: Arranje uma vida e viva. Pense. Sinta. E escreva o que sentir. Bom ou mau. Não importa. Importante é que seja na primeira pessoa. E se tiver mesmo que copiar os textos de alguém, tenha a dignidade de o assumir. Pode ser?


quinta-feira, 22 de abril de 2010

De luz e de sombra

Imagem aqui

Por entre a escuridão e luz é que se faz o caminho. Há caminhos que se fazem porque sim. Enquanto se aguarda um novo rumo. Enquanto se espera. Esperar... Conceito que não gosto. Exige uma paciência que não tenho. Tenho vontade de recomeçar. Tenho vontade de começar. Tenho vontade de mudar. Quero um novo caminho. Quero outro rumo. Sempre ouvi dizer que quem está mal muda-se. Mas não é um estar mal. Será antes um mal-estar. Uma vontade de partir. Uma vontade de voar. Uma constante insatisfação que me persegue. Uma constante ânsia de querer mais que me consome, que me impede de me contentar, que me veda o acomodar. Não consigo. Tento convencer-me de que estou bem, que não poderia estar melhor. Nunca fui boa a contrariar-me. Não adianta. Posso enganar o mundo. Não me engano. Nunca o fiz. Por certo não vou começar agora. Posso tentar respirar fundo. Breathe in. Breathe out. Posso tentar esperar. Posso. Mas sei que mais tarde ou mais cedo volto a virar a mesa. Não sei contrariar-me. Não sei obrigar-me. Por isso, por entre a luz e a sombra faço o meu caminho.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Home coming

Firenze

There's no place like home. E agora casa é mesmo onde tenho o coração, o corpo e a alma. Mudo tudo se o coração me pedir. Viro o mundo do avesso se a minha alma precisar. Naturalmente no desassossego sosseguei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Diário do Egos - 1.ª série - N.º 1 - 4 de Fevereiro de 2010

Decreto-Lei do Ego n.º 1/2010

O presente decreto-lei estabelece o regime que reconhece a necessidade que sinto de ti, tendo em conta a tua unicidade e que se justifica por tudo o que sinto. Tais circunstâncias aconselham a adopção de medidas com vista à manutenção e melhoramento, na medida do possível, das condições existentes.
O presente diploma consagra importantes medidas que vão de encontro aos objectivos previstos pelo legislador.

Assim, nos termos da alínea do coração, no número da razão da Lei Orgânica n.º 1, o legislador decreta o seguinte:

1.º

Quero-te.


2.º

Desejo-te.


3.º

Adoro-te.


4.º

Amo-te.


Promulgado há uns meses.

Publique-se.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Just walking...

Imagem daqui

Caminho pelas ruas que conheço desde que nasci... caminho a passo. A passo de quem segue automaticamente enquanto o pensamento divaga. Páro a olhar o castelo. O que desde criança sonho meu. Imagino como seria a vida solitária dentro de muralhas. Percebo como a vida pode ser solitária, basta querermos, basta deixarmos. Basta abandonarmos-nos a nós e fechar o mundo lá.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tempo...

Imagem: daqui

Tenho dias que queria que o tempo parasse... outros que voasse.
Tempo para mim. Ou apenas tempo. Calar os ecos que me ficam na memória. Apagar os receios. Tempo, apenas tempo. Para parar. Para recomeçar. Para seguir. Mas o tempo é imperdoável. Não pára. Passa. Tem dias que me trespassa. Olho-me ao espelho e procuro as marcas. As que me fiz. As que me fizeram. Não se vêem. Mas eu vejo cada uma. Olho e vejo cada mudança que o passar do tempo causou. Reconheço a origem de cada receio. Vejo a marca de cada decisão difícil. De cada escolha arrancada a ferros de mim. Tempo. Dá-me tempo...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Get it right

A quantas pessoas dá a vida uma segunda oportunidade?
E quantas a aproveitam?
Não sei e não sei.
Mas também não me importa. Sei que eu tive essa oportunidade. A de poder começar de novo. De andar todos os passos. Um de cada vez. Às vezes ainda me sinto de passo inseguro, apenas porque tenho medo demais de perder o caminho. Talvez pelo caminho que já percorri, talvez porque não estou habituada a ter medo. Talvez porque tenha a noção de que a oportunidade de acertar é rara. Sem dúvida sei que é porque dou valor ao caminho com que a vida me abençoou.
Sei que é este o caminho, o que quero, o que escolhi.
Sinto-o como certo.
Faz-me sentido.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Outra perspectiva do céu...

O ciúme é queimadura que faz o coração doer... É a pontada no estômago que retorce o sorriso, a sensação estranha que me percorre como descarga eléctrica sempre que vejo o teu toque noutro corpo que não o meu, mesmo que meramente ao de leve com laivos de automatismo...