terça-feira, 29 de novembro de 2005

Oração




abre essa porta que o coração teima em fechar
deixa que o teu manto desça sobre mim
ilumina o meu caminho
nem que essa luz seja a da escuridão
e o manto me venha a cegar
abre a porta
não me deixes ficar

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Refúgio

Procurei o meu refúgio... encontrei-o a céu aberto... ousei fazer o meu porto de abrigo... o céu foi amigo...
Não.
Os amigos são o céu.
Sempre que é preciso o céu está lá para ouvir as nossas preces.
E numa noite de dsassossego, eles chegam de mansinho e levam-te devagarinho.
Retomam-se hábitos de antigamente. Fala-se até perder a hora.
E de madrugada ouves música bem alto enquanto se joga ténis no parque de estacionamento.
Às vezes não crescemos... É bom assim...

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

De cor

O mundo está lá fora...
não se pode viver pelo que que vê
pelos risos que se ouve
pelas lágrimas que não se sentem

estando dentro
o mundo é lá fora


basta abrir a janela
pular o muro
ou sair do portão

o mundo está ali
pé ante pé
pé diante de pé

e encontramos mais um caminho
segui-lo ou não
no trilho ou a corta-mato




será um outro rumo...

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Um beijo só...



... não basta para que te esqueça...
A despedida terna que parece não anunciar uma despedida.
Não seria o suficiente para nele conter todos os momentos... toda a vida que ficou... mas bastou-te para tudo o que ficou por dizer... tudo o que ficou por viver...
Caminhando à chuva recordo... não o beijo dado, o beijo roubado, todos os beijos que não o foram...
O caminho segue... tal como eu e tu... e o momento do beijo... foi tão somente um momento...

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Paragem



A morte não assusta. A vida, às vezes, é que mete medo.
A morte é paragem.
A vida não pára de correr.
Ou nos leva ou nos guia ou nos arrasta.
Ou vive-se.
Vive-se... sempre que ela não nos pára, não nos leva, não nos guia e não nos arrasta.
Vive-se quando se aproveita cada momento como único que é.
Tal como a água que não passa duas vezes ali...

Eu não sei se vou ficar bem assim, eu só sei o que vai ser melhor para mim...

(Expensive Soul, Eu não sei)

Pausa na Lua

Ontem parei de conduzir para admirar a Lua e o brilho que reflectia no mar...

E parei mesmo...
parei para pensar
para te escrever
percebi que não te percebo
não entendo o que trava
tudo?
tudo o que a mim me destrava
não te posso dizer mais do que te digo
sei o que sinto
mas não o consigo dizer
não insisto resisto desisto
e fico sem saber o que te pára
o que te impede de andar
sinto-me enganada
não foste tu quem me fez apaixonar
foi outro que apareceu
e despareceu na sombra dos dias
enganos não me magoam
mas este não posso perdoar

adeus...

terça-feira, 15 de novembro de 2005

Talvez sempre...



a cada despedida tua fico assim...
sei que acabas por voltar
e sempre te abraço
aceito-te assim
aceitas-me a mim

a cada despedida choro sangue
sempre me dói
nunca te prende
voltas
recebo-te

saber que regressas não me diminui a dor
a que me corta por dentro
a que me tolhe
a que me deixa assim

sabes que me prendes na teia desse sorriso
aranha predador
é obsessivo o que nos une
é doentio saber que tremo
ainda tremo
esse olhar que me fere
o que me apaixona

cada despedida
anuncia sempre um regresso...

sempre...

...até um dia...

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Florbela Espanca

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

I think of someone else instead...


Paul Telfer

E quando numa preguiçosa tarde de Domingo a companhia preferida é um sofá quente, uma salamandra incendiada e uma produção fantasiosa, adormeço e sonho com um Hércules assim para mim...

Ao acordar sei que não quero um herói, mas os sonhos são bons mesmo assim!

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Second dance



Silenciosamente desliza nos seus braços... entrega-se no rodopiar de uma valsa
perdem-se emoções
esquecem-se sentimentos
não, não voltará a ser a mesma
mas sabe que continuará a dançar sem ti

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Passo...

"Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura. "



quem não caminha lucidamente
não pensa seguramente
caminha sem ver para onde vai
pensa sem ser de onde vem

eu só quero não pensar
eu só quero parar de sentir

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Máscara



fica ao meu lado porque estás aí... quando não estás cobre-me a face e esconde-me do mundo... adormeço os sentidos para que a tua presença páre e pressinto-te... escondo-me mais uma vez e não volto a acordar
outra que não eu sabe que te ama
outra que não eu sabe sofrer e chorar
outra que não eu não se vê e não te tem
e é a máscara que sai à rua

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Ainda a dor...



quando ao acordar se sabe que o Sol não vai iluminar o cinzento que nem a Lua conseguiu apagar e a dor domina... sabe-se que aquilo ainda não é acordar... ainda há aquela impressão... que já não se sente como dor... então já nem é pesadelo... não se sofre sequer... não é o sofrimento que dói mas a ausência de sentir que faz doer

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Por amor...



... revivem-se dores profundas que corróiem alma sangram coração choram lágrimas mais salgadas e deixa-se o pensamento vagar ao abandono... não se tenta parar a dor, antes se abraça... não se estanca a ferida, bebe-se o sangue... até que seja tudo parte de ser...