quinta-feira, 26 de julho de 2007

Casa nova...

Vida nova?
Não creio.
Acredito em recomeços. Acredito em novos começos.
Não acredito que se esqueça o passado.
Mudei a casa. Só isso. É apenas uma continuação.
Este será sempre o espaço primeiro que me fez sonhar.
Apenas por motivos logísticos tive que realojar o Egos no sapo. Ainda me estou a adaptar ao novo espaço... ainda não sei bem onde colocar os móveis. Grande parte da mobília segue daqui, pelo menos o mais importante. Quem leio e quem me lê.
"O futuro é fabuloso." Já li esta frase em algum lado. Não sei de quem é, mas aplica-se!
Muda a casa, de resto pouco o nada muda.
A partir de agora aqui está o outro Egos de Sophia.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Confissão de um tempo passado...

Recorda ainda aquele dia em que viu os olhos verdes perdidos no meio das lágrimas. Culpa sua. Sabia-o. Não ostentava. Mas magoava. Quase podia sentir a dor que estava a infligir. Também ela não pensou que tudo mudasse numa noite.
Ainda na véspera tinham prometido amor... Mas o amor eterno prometido faltou na paixão de uma noite. Um corpo que sabia não voltar a ter. A noite, passou-a sem dormir. Loucura e prazer. Despedida, dele, de si e daqueles olhos verdes. Amanheceu carrasco de sentimentos.
Os olhos verdes com as lágrimas de sangue, raiva e dor, comprovaram o que sabia. Não pediu perdão. Apenas confessou a traição. Não confessou o desejo de solidão.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Sabedoria popular adulterada

Mais vale esquecer uma profecia que não se concretizou que apagar uma ferida que o destino marcou.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Undone

Encontro-te nos meus sonhos.
Não te quero mais.
Algo em mim me nega a tua finitude.
Não deveria ser assim.
Os sentimentos acabam.
Os fragmentos da memória ficam.

Something different... Celebrity look-alike?




Três fotos diferentes, três resultados.
Sim... há dias em que tenho pouco com que me ocupar... E tropecei acidentalmente neste site.
Lembrei-me de quando era miúda e me passava pela cabeça ser como aquela minha personagem favorita ou igual àquela actriz em particular.
A curiosidade falou mais alto... Os resultados: muito estranhos!
E para os curiosos, isto faz-se aqui.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Singin' in the rain

Foto daqui

O Verão já chegou... dizem por aí.
Sábado, concordei quando o Sol me queimava na pele.
Domingo, tive dúvidas. O dia amanheceu cinzento.
Ontem consegui sentir a chuva na pele.
Desprevenida de chapéu, regressei à adolescência em que dispensava tal acessório. Preferi seguir o meu rumo no meu passo e deixar que a chuva me molhasse!
Chuva no Verão não é agradável, mas ontem fez-me bem!


segunda-feira, 16 de julho de 2007

...

Escrevi cartas e poemas
baladas e tangos
Descobriste astros a que deste o meu nome
constelações inteiras
p'ra irmos viajar
Como alquimista
inventei pratos
criei ementas
perdi-me nos condimentos
p'ra nos saciar
Abriste montanhas
calcetei ruas em mim
construímos a casa
p'ra nos abrigar
...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

28 E

Foto de: Pedro Santana


Desde criança que me habituei a ver passar o eléctrico na minha rua. Adorava os passeios de fim de tarde. Depois deixei a minha rua. E tive que deixar os passeios no 28 E.
Hoje matei saudades d' "O amarelo da Carris, vai da Alfama à Mouraria, quem diria. Vai da Baixa ao Bairro Alto, trepa à Graça em sobressalto, sem saber geografia."*
Soube-me bem! Lugar sentado, janela aberta e também passei na minha antiga rua!

*O Amarelo da Carris", Carlos do Carmos

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Dom Casmurro

Podia começar este texto por dizer que a teimosia não leva a lugar nenhum... mas estaria a dar um tiro no pé. Prefiro dizer que a casmurrice não leva a lugar nenhum... mas também não é verdade. A casmurrice leva-nos, nem que seja, ao erro.
Nunca se percebe, nem se tem realmente que perceber, o que leva uma pessoa a tomar determinada atitude. Mas é quase tão natural ao ser humano como respirar, a capacidade de opinar. Mesmo que se tente não fazer juízos de valor. O certo é que, a opinião é algo profundamente inerente ao ser humano. Até pode não se manifestar, mas ela forma-se no pensamento, automaticamente.
Do mesmo modo, a capacidade e a possibilidade de decidir definem uma pessoa como livre.
Assim, não se pode tolher o poder de decisão de alguém, por mais que se opine contra. Mas também não pode ser cerceada a liberdade de opinar.
Portanto, é impossível não opinar, não ficar triste, não ficar desiludido, não ter vontade de alterar a decisão que foi tomada, quando alguém de quem se gosta, como se não tivesse sido colocado mais ao lado na árvore genealógica, toma uma decisão com a casmurrice e o fundamentalismo por conselheiros e prefere formar barricadas e preparar o armamento a sentar-se à mesa da diplomacia.

P.S. Não, não há mal entendidos e não é liberdade poética.

terça-feira, 10 de julho de 2007

De costas...

Não me contes mais histórias de um tempo que já não volta. Cala as saudades. As mágoas que ficaram. Lamento. Nesse pranto quebrantado ficou apenas a sombra de quem amou...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Plágio descarado*

É um pouco engraçado este sentimento que trago comigo, não sou pessoa que facilmente o consiga esconder. Eu não tenho muito dinheiro, mas se tivesse compraria uma casa grande onde ambos pudéssemos viver.
Se eu fosse escultora, mas não... Ou uma mulher que faz poções num espectáculo itinerante. Eu sei que não é muito, mas é o melhor que posso fazer. O meu presente é escrever e este texto é para ti.
Podes dizer a toda a gente que este é o teu texto. Pode ser bastante simples, mas agora está feito. Espero que não te importes... Espero que não te importes que eu escreva o quão maravilhosa é a vida agora que tu estás no meu mundo.
Sentei-me no telhado e pontapeei a poeira. Bem... algumas das frases deixaram-me confusa. Mas o sol foi bastante amável enquanto eu escrevia este texto. É para pessoas como tu que ele continua a brilhar.
Portanto desculpa esquecer-me, mas acontece. Esqueci-me se são castanhos ou castanho-avelã. De qualquer modo o que eu quero dizer é que os teus olhos são os mais doces que eu já vi.

* I'm truly sorry Sir Elton John. I promise I won't do this again.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Noite de luar

Beijo-te os olhos numa noite de luar.
Gostar de ti é um exercício tão pouco simples quanto gostar de mim.
Temos imperfeições, falhas. Foi-me difícil gostar de mim, durante anos podia jurar que, somente, tinha aprendido a conviver comigo. E a gostar da Xana, senhora omnipresente na minha vida, mas dela era fácil gostar. Tinha poucas falhas. Admitia menos ainda.
Apareceste-me tu. Podia ter sido tão mais simples... Não o foi.
Tinhas imperfeições, características que eu nem sabia ser possível gostar, mas gostei. Do mesmo modo, acreditei, sem qualquer dúvida, que gostavas de mim. Talvez porque até então só a Xana o fazia com regularidade e devoção.
Mas não foi fácil gostar de ti. Eu exigia tão pouco e dava-te tanto. Achei que isso me bastava. Mas não bastou. E não te bastou.
Tempestade. Marca os dois momentos. Entrada e saída na minha vida.
Aprendi com o tempo a sarar as feridas. Tudo poderia ter sido tão diferente... Não o foi. Não aprendi com o tempo a esquecer-te.
E ainda hoje nas noites de luar sonho que me beijas o olhar.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Bittersweet

Mas por que insiste em recordar? Algo lhe dizia que estava só no começo...
Um olhar ela teve.
Aquele momento iria ficar para sempre na sua memória. Soube-o, instintivamente, na altura, como agora.
Lembrou-se daquele olhar verde, de como acreditou que dali só poderia vir algo de muito bom. Ia lembrar-se dele. Ia sim.
Já a noite ia alta e ainda continuava perdida nas suas memórias...
Se ao menos dos momentos de alegria alguns não lhe soubessem a doce vingança, teria a certeza que ele pertencia ao passado.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Vertigem

É sentir uma sede de infinito que consome até ao âmago. Sentir um vazio que se alimenta dos sentimentos, que quanto mais se sente mas vazio fica. Ficar perante um sem fim de escolhas e querer abraçar o mundo num só abraço, numa só vida. Não aceitar a finitude, o limite. Gritá-lo ao mundo. É a constante insatisfação aumentar e crescer e alimentar-se dos sucessos como dos fracasssos e não cessar de engolir tudo num poço negro, sem fim, que assusta quando assola o olhar.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

E os nomeados são...


Por ordem alfabética:
1. Avatares de um desejo
2. Dhyana
3. Erotismo na Cidade
4. Figuras d'Estilo
5. Moriana
6. NimbyPolis
7. Um Paraíso no Inferno

Agradeço a nomeação. Grazie Lipa Xana!

1. Podem participar na votação todos os bloggers que mantenham blogues activos há mais de um mês [os outros esperem por outra ideia brilhante que alguém irá ter].

2. Cada blogger deverá referenciar sete nomes de blogs. A cada menção corresponde um 1 voto.

3. Cada blogger só poderá votar uma vez, e deverá publicar as suas menções no seu blog [da forma que melhor lhe aprouver], enviando-as posteriormente para o seguinte e-mail: 7.maravilhas.blogoesfera@gmail.com. No e-mail, para além da escolha, deverão indicar o link para o post onde efectuaram as nomeações. A data limite para a publicação e envio das votações é dia: 01/07/2007.

4. De forma a reduzir alguns constrangimentos [e desplantes], e evitar algumas cortesias desnecessárias, também são considerados votos nulos:
- Os votos dos blogger(s) em si próprio(s) ou no(s) blogue(s) em que participa(m);
- Os votos no blog O Sentido das Coisas.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Página 161


Origem do desafio: Keia
Regras:
1. Pegar no livro mais próximo.
2. Abri-lo na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blog.
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo.
6. Passar o desafio a cinco pessoas.


Comecei a ler "A Guardiã dos Sonhos", de Rani Manicka, ontem e o livro acompanha-me desde então. O resultado seria estranho com qualquer outro livro que pegasse por aqui...

Resultado mais que perfeito:
Era orgulhosamente selvagem.

Cinco pessoas a desafiar:
Jessica, mafaldinha, Crisis, Sombras...de mim, Phoenix

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Na penumbra...

No limbo abolido por um amor que diziam ser pecado ficou a memória de mais um abandono. De mais uma viagem sem regresso. Apenas mais uma ferida no coração. Já cansado.
Fica na sombra da vida vazia, na penumbra ecoada daquelas paredes que tanta luz tinham testemunhado.
Da sombra segue agora com o olhar os lugares onde se perderam, onde o coração tinha cegado.
Da sombra busca ainda a sua luz.

Foto: Edouard Boubat

terça-feira, 19 de junho de 2007

Tradução livre

'Easier said than done'
que é como quem diz 'é mais fácil sentir um amor do que vivê-lo'

quinta-feira, 14 de junho de 2007

De fora...

Cedi à curiosidade para te redescobrir.
Pudesse eu abrigar-me na zona cinzenta que te inunda o coração e não sairia de lá.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Starting over...

Carta XIII - A Morte, Baralho de Tarot

Tem-me sido difícil escrever...
Porque consegui fracturar a cabeça de um dos dez dedos das mãos e é certo é que me incomoda.
Porque mudei mais uma vez o rumo do caminho.
Porque as bifurcações são constantes e, na dúvida, páro, para poder recomeçar.



quinta-feira, 31 de maio de 2007

Do desejo e outro demónio...

E quando o querer chega sem avisar e o desejo estremece?
o corpo aquece
a alma não o arrefece
o desejo toma conta
de mim
de ti
de tudo!
Tento negar
procuro disfarçar...
Impossível!
Irresistível!
Deixo o desejo
levar-me
guiar-me
o caminho chega a ti...
Inevitável!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Just let me be free

Foto: Autor desconhecido

Voo porque sou livre
o voo é sempre frágil
mas não deixo de voar

quinta-feira, 24 de maio de 2007

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Salto alto

Foto de: Helmut Newton

É mais fácil ignorar-te se não te sentir ao mesmo nível...

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Coisa ruim

Foto: Sarah Moon
O que sinto altera o que vejo
o que vejo não altera o que sinto
não reconheço mais o meu olhar
Se perder o traço de humanidade...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Just breathe

Foto: Sarah Moon

Nem todas as borboletas do mundo...
me salvam da ausência do teu sorriso.

terça-feira, 15 de maio de 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Entre colunas

Estava sentada no bar entre amigos. Ele chegou. Aquele andar característico de quem acredita ter o mundo a seus pés. O olhar perfeito de um castanho avelã, luminoso. O sorriso, imperfeito, brilhante. Dirigiu-se a uma das mesas de snooker para jogar com os amigos.
A outra mesa foi de imediato ocupada também.
- Obrigada Dri.
Não conseguia deixar de olhar para ele, hipnotizada. Era perfeito. Parecia perfeito.
- Tu importas-te de não me deixar tanto tempo à espera.
- Desculpa! Não me consigo concentrar.
- Assim, ainda se torna mais fácil ganhar.
Nem reparou na provocação. Chegou entre mesas um amigo.
- As meninas não querem uma partida sexista?
- Vamos a isso!
MAria estava sem palavras.
- Olá Adriana!
- Sou o Carlos. E tu?
Apresentou-se só assim...
- Maria.
- Gosto. Nome simples. Mulher com um brilho extraordinário.
Começou assim.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Oblivion

Arde sangue corpo e alma na pira de fogo ateado.
Queimou.
Segue sem saber a direcção
Segue sem seguir o coração
Segue seguindo a razão
No rasto da cinza que ficou.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Espaço culinária: curioso...

Procurava num livro de receitas algo doce para fazer, quando descobri uma receita intitulada "Beijinhos da sogra".
Só constam os ingredientes:
"500gr. de açúcar, 400 gr. de farinha, 4 ovos, 1,5 dl de café forte sem açúcar, 2 dl de azeite, 1 colher de chá de canela e 1 de fermento. As claras são batidas em castelo."
Nada é dito quanto ao modo de preparação.
Será porque nos ditos populares "Sogras, nem de barro à porta!"?

sexta-feira, 4 de maio de 2007

"amizades"

Estranheza...
Passam-se anos e os amigos, mesmo aqueles que se perderam, ficam na memória.
Chatearam-se há anos atrás. O motivo nunca foi esclarecido. Não valia a pena. Mas não se foge do passado, nem do que fica mal esclarecido. O passado volta sempre... Talvez seja o momento de as águas acalmarem.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ideias

Ficou por momentos sem saber como reagir.
Justificar sentimentos em nome de outro alguém não faz sentido.
- O que eu sinto pertence-me, responsabiliza-me, mas só a mim...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Não é segredo

É um ditado americano: "What happens in Vegas, stays in Vegas".
Também se pode ver como uma regra com inúmeras aplicações.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Noitada

Chegou a casa de rastos. Comprovou que o álcool não traz amnésia. Recordava-se de tudo. Até do que tentara esquecer.
Deitou-se como estava, em cima da colcha. Não. Não podia vomitar em cima da bilros que a avó tanto estimava. Estimara... A avó… O Carlos... Se ao menos pudesse deixar de se lembrar, nem que fosse por uns instantes.
Adormeceu.

Ontem fui sair com a Adriana. Tinha que me falar do Zé.
Mas para que quero eu um homem que me queira. Eu só quero um que me ame, como eu amei o Carlos. Acho que já nem preciso de amar.
Não é nada disto que quero recordar.
Estava uma mesa reservada para “2 mulheres da minha vida”. Foi para onde a Adriana se encaminhou, eu segui-a. O Zé viu-nos. Sussurrou qualquer coisa a um dos empregados. O empregado com a bandeja e dois copos altos com bebidas, uma branca, outra vermelha, dirige-se à nossa mesa. Vermelha para a Adriana. Branca para mim. Ambas eram doces.
O Zé veio pouco depois. “Vermelho é paixão, branco é amor. Adorava partilhar a minha vida com vocês as duas.”
A Adriana entrou na brincadeira. Eu decidi que não ia falar. Deixei de os ouvir. Podia jurar que tinha visto o Carlos entrar. Perscrutei todas as cabeças que conseguia ver do meu lugar. O bar estava mesmo cheio. “Zé onde é o WC?” “Ali ao fundo.” Perfeito, pensei. Podia atravessar o bar todo com uma desculpa válida, até para mim.
Fui devagar para confirmar se tinha visto ou alucinado (já me aconteceu tantas vezes). Alucinei. Eu sei. Ele está em Faro.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O primeiro encontro

A infância de Maria não foi das mais fáceis. “Órfã de pais vivos”. Foi a primeira coisa que a D. Alexandra lhe chamou, quando a funcionária dos Serviços Sociais a levou àquela porta de rés-do-chão. Lembra-se que gostou da entrada em arco, do largo onde poderia vir a andar de bicicleta e jogar à bola. Não gostou da cara que a D. Alexandra lhes fez quando abriu a porta.
- Quer gostes ou não, é comigo que vais ficar, já que os teus pais não te querem.
E aquilo foi o que mais lhe doeu. Engoliu em seco as lágrimas que queriam sair. Decidiu que não ia falar. Elas que decidissem o seu destino. Ela já estava habituada a só fazer o que lhe mandavam.
Não ouviu mais nada. Ficou sentada a olhar em redor. Depressa percebeu que aquela janela ainda era alta para saltar, teria que usar a porta. Aquele armário na parede da entrada tinha a sua futura cama. As portas albergariam no eco a sua roupa. Dois vestidos, três camisolas, duas saias, duas calças e um casaco. Sapatos, só tinha uns. Apercebeu-se que, só por um triz, não tinha mais nomes que coisas.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Domingo de manhã

O primeiro Domingo em casa da D. Alexandra.
Desde a 5ª feira, a sua chegada, não tinha dito nada. Apenas obedecia mecanicamente. Não sabia o que dizer. Não sabia como se dirigir à D. Alexandra, a avó.
- Acorda Maria! Já tens a água pronta para o banho! Despacha-te. Não gosto de me atrasar.
Esse era um dos traços de carácter de D. Alexandra que Maria depressa percebera. A avó era sempre pontual e rígida com os horários. Tudo naquela casa era feito pelo bater do relógio. O acordar, as refeições, o deitar. Até as suas brincadeiras eram controladas pelo tic tac daquele relógio enorme de pêndulo. O barulho não lhe fizera confusão nenhuma. Nunca.
Mas num Domingo... No orfanato era o único dia em que podia dormir até mais tarde. E agora esse privilégio acabava de ser revogado.
Levantou-se sem reclamar. Foi tomar banho. Quando terminou dirigiu-se ao quarto e como já esperava, depois de dois dias, o hábito, um novo vestido esperava-a. Branco, lindo, flores amarelas. Vestiu-o. Depois voltou para trás. Também já sabia que tinha de ir tomar o pequeno-almoço. Aos Domingos a avó não comia? Calou a pergunta e comeu o pão com manteiga e bebeu o leite, simples.
Saíram de mão dada.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A escrivaninha

Sentou-se na escrivaninha que a avó lhe deixara. O seu último pensamento, melhor, as suas últimas palavras foram para ela.
"Voa para onde o vento te levar. Não te prendas por restrições ou convicções que não são tuas, faz as malas do teu coração e parte. Vai. Não olhes para trás. Deixa tudo. Uma vez é quanto basta para o abandono total, para a liberdade total. Parte.
Não fiques aqui, onde tudo te prende, onde te retrais. Vai. Não páres. Não te deixes ficar onde não sorris, apenas esboças o gesto que antevê esse sorriso que hás-de mostrar quando estiveres lá.
Não fales. Cala as despedidas e sai. Vai pela porta de mansinho, para que ninguém te tente impedir. Sabes que ficas se alguém pedir. Não queiras.
Desinquieta o coração que não aguenta as correntes e vai. O sentimento há-de calar. Só não páres de voar..."
Agora que a sua vida estava um caos, aquela mulher, o seu pilar, desfalecera. E agora? Como beber água de uma fonte que seca? Precisava ressuscitar a avó.
Decidiu que iria escrever num outro dia.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Thunderbolt & lightning

Está um dia lindo para quem gosta!
Por aqui desabou um temporal que assusta. Chove copiosamente. Troveja e há brindes ocasionais de relâmpagos.
Gosto moderamente!
Mas acho que o melhor cenário para assistir a este espectáculo que a natureza oferece seria uma casa perdida no meio da montanha. A lareira da sala rústica com lume a crepitar. Uma janela ampla. Uma boa garrafa. Boa companhia. E tempo para perder...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Caminhando...

Está feito! O primeiro passo impensado a caminho da loucura! Há dias em que a divina providência nos devia trancar em casa. O risco foi calculado e assumido, mas e agora, se a profecia não se cumpre, como vamos nós enfrentar a intempérie que se pode avizinhar? Não quero adivinhar o futuro, não quero assumir riscos de que não preciso para me atormentarem. Agora só me resta desfrutar do caos criado! E esperar que não perdure a incerteza!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Let's go!

Estou novamente num fim... Ou num novo começo!
A vida vai-me sempre devolvendo a esperança necessária! Já nem sei, se não fui eu a apanhar o vício de começar de novo! Gosto do entusiamo que se tem!
Mas desta vez é diferente... Será um começo com meia rede, algum medo, mas tudo pode correr bem! O que não deixa de ser assustador, felizmente, não tanto como se tudo pudesse correr mal!
Isto até pode soar estranho, mas quando se começa algo, por vezes, somos inimigos de nós próprios. Bem no fundo, acreditamos que o fracasso está à espreita. Vamos dizendo que somos capazes, mas ficando com a ideia que não somos...
Há voos com rotas traçadas, sem mapas definidos, só com destinos escolhidos!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Welcome sunshine!

... Humm... pois... Hoje é mesmo só isto! Nem parece Segunda-Feira! Está um dia lindo! O calor já se faz sentir e senti o cheiro a maresia logo pela manhã!

It's a beautiful day!

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Sina II

O mau humor ficou para trás, haverá sempre uma infinidade de coisas que eu não irei compreender!

Sina

Hoje acordei para o lado errado da cama! Entenda-se, para o lado de fora! Apetecia-me ter ficado a manhã toda a preguiçar, em vez de deambular pela burocracia que impende sobre as cabeças de quase todos, como uma bigorna pronta a cair! Pois... Não ajudou a melhorar o meu humor... Passei boa parte do final da manhã a ouvir uma senhora ao meu lado a lamuriar-se ao telemóvel...
- Ninguém quer saber dos meus problemas... tu não sabes aquilo por que estou a passar! Ninguém faz ideia! Isto custa! Aquele desgraçado paga-mas! Não vou deixar que isto fique assim! Há-de sair-lhe caro!... Tu não me digas o que é certo ou errado! O que ele fez não se faz... Com uma qualquer... Se estivesses na minha situação fazias-lhe a vida num inferno, fazias o mesmo! Eu é que sei!...
Um bip anunciou o meu número, a minha vez. Abençoei aquela máquina.
Percebi boa parte do conteúdo... Mas não entendo o que motiva alguém a fazer estendal público com roupa íntima. Há uma tendência redobrada (acho eu, não encomendei nenhum estudo) para este tipo de atitudes em lugares públicos, normalmente, nas denominadas salas de espera.
Que interesse pode ter para mim ou para qualquer outra pessoa ali, a vida privada daquela mulher? (A não ser que eu fosse guionista de telenovelas venezuelanas e aí talvez tivesse tirado notas e indagado a fundo os pormenores sobre ela e o desgraçado e tudo o mais que pudesse ter apego para as audiências.)
O certo é que, quando saí, a senhora já partilhava a sua miséria com a senhora do lado, que abanava a cabeça em sinal de profundo pesar e compreensão.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Não ao romance!

Diz que não é romântico.
Numa conversa a dois, ela assume que é romântica. Ele já o sabia. Pelas mensagens que ela lhe deixa no espelho, pelas ridículas cartas de amor que lhe escreve. E faz tudo isto sem motivo ou data, apenas ela e ele sabem que por amor ela é assim.
Ele diz que lamenta não ser romântico... Ela sorri. Como pode ele dizer que não é romântico? Se a acorda todos dias com um beijo e palavras ternas sussuradas ao ouvido... Todos os gestos dele são carinhosos. Envia-lhe ridículas mensagens de amor durante o dia e já jurou amá-la eternamente.
Ela passa-lhe a mão pelo braço e diz: Não me importo que não sejas romântico!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

"Salsada"

Saí de casa a pensar escrever sobre ti... sobre nós. Tentar perceber o que me fez sentir assim. Tentar fazer-me algum sentido.
Mas quando cheguei frente ao monitor e estava em rosa, passeei pelos cantos que tanto gosto, por um motivo ou por outro.
Não pude deixar de me emocionar ao perceber que há despertares para as letras que chegam de mansinho mas que criam raízes profundas. Há saudades que corroem e impelem a escrever.
Quando se gosta de escrever tudo e nada são motivos para o fazer. Acho que o Phoenix (o "menino"- sim, nisso sou tipo mãe, acho que nunca vou admitir que cresceste - lindo que está a aprender a voar) também já percebeu isso...
E assim, perdi-me nos meus pensamentos - o que acontece com bastante frequência - e o que queria escrever é importante, mas não precisa ser escrito, basta que o sinta.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Bruxa?

Pudesse adivinhar o futuro...
Saber com antecedência os sorrisos e as lágrimas.
Adivinhar o que te entristece o rosto.
Calcular todos os passos para orientar o porvir.
Desvendar os segredos e mistérios que ainda não sei.
Ler nas estrelas ou nas minhas mãos...
Serge Bridy
E não o faria.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Quero a minha Primavera!

foto de Dingo
Este é um post contestatário!
Estou cansada do frio e deste tempo incerto! Dêem-me a minha Primavera!
Quero o tempo ameno sem vento nem frio! Quero poder usar a roupa de meia estação!
Quero os meus passeios à beira-mar de final de tarde! Quero poder molhar os pés e sentir a água salgada depois de caminhar na areia!

Espero que os Céus me ouçam...

segunda-feira, 26 de março de 2007

Se fosse...

Se hoje pudesse colorir-me, não passaria de uma imagem a preto e branco, se fosse um rádio não passaria mais do que músicas tristes... Se fosse o Sol, o dia não passaria de um cinzento enevoado...


Os sons que hoje me tocam não me aquecem a alma.


Os dias passam sem que se dê conta que passam por nós... O mundo gira a vida passa e eu?
Sempre que há um dia assim não quero que me animem. Não quero que me digam que tudo passa. Amanhã será sempre um novo dia. Mas hoje não é. Hoje é um dia triste em que o fado se ouve em mim. Hoje é um dia em que tenho direito às minhas lágrimas salgadas pela dor e pela tristeza. Deixo que a minha parte negra tome controle e me faça sentir tudo a que tem direito...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Dear diary

Abro-te ainda sem bem saber sobre o que vou escrever. Ouço "Land of a thousand words" dos Scissor Sisters. Gosto desta música.
Estou tentada a ser nostálgica. Hoje é dia de efeméride... Lembrei-me disso depois de acordar. Felizmente, bem depois de outros momentos. A memória é sempre engraçada! Não me deixa esquecer. Mas devia? Sei bem que é importante guardar estes fragmentos de dor e sofrimento. Assim talvez não volte a cometer o mesmo erro. Outros, sim! O mesmo, não! Sorrio! Estas lembranças, agora, dão-me para rir! Tempos houve em que me fariam chorar "tipo cano roto". Recordo, já com sentido de humor! É a melhor forma de recordar certas cenas.
E a recordar e a ver a minha vida a desfilar desde então até agora... Sim, cometi outros erros! Mas o mesmo, ou os mesmos, não. É uma ideia que me anima. Errar sim, mas não ser repetitiva no erro!
Algures por esta linha de pensamento perco o fio à meada.
Escrevo, o que quer que fosse que vinha escrever, noutro dia. Hoje não!

Amor? À... 2ª vista

Foram apresentados. Não o amou, nem sequer o desejou. Olhou, mas não o viu. Tiveram um desencontro no meio da multidão.
Nova multidão. Um meio encontro. Ela ficou presa no sorriso. Ele não esqueceu o olhar.
Os dois. O encontro.

quarta-feira, 21 de março de 2007

O amor à poesia pode nascer de um pequeno excerto...


Cântico Negro *

(...)
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não por onde vou.
Não sei para onde vou.
- Sei que não vou por aí!


* José Régio

terça-feira, 20 de março de 2007

Nothing but wait...

Man Ray


Espera pela mudança dos dias, depois da pedra atirada, da peça movida...
A resposta chegará.

segunda-feira, 19 de março de 2007

...new death

Jeanloup Sieff


...caminhando rumo ao infinito despojada de quem foi, mostrando apenas quem é... caminha já sem laços nem amarras, perdida da esperança de liberdade... busca somente a sua verdade...

Jack Sparrow or William Turner?

sexta-feira, 16 de março de 2007

Viagem...

As paisagens desfilam à minha frente. Cenários sem fim de outras tantas vidas.
Penso na minha. Nos cenários que lhe escolhi... Nas personagens, por vezes autênticas figuras, que entram e que saiem... Não para chegar a conclusão alguma. Não vejo ponto lógico nisso. Se bem que também não sou muito adepta da lógica. Mas penso para que o hábito não se perca. Sonho e projecto novos cenários. Não tenho personagens para retirar de cena. É bom! Sei que terei mais personagens no palco. Não os imagino.
Páro de escrever para apreciar o mar... Às vezes o melhor mesmo é não pensar muito na vida. Distraída como sou ainda me esquecia de viver.

quinta-feira, 15 de março de 2007

quarta-feira, 14 de março de 2007

My time


Se no final do dia tiver música e paz sei que vale a pena continuar...

Mentira

Não há diferença entre verdade e fingimento quando todos os dias se coloca uma máscara. Uma máscara ao sair. Uma para falar. Uma para uns e outra para outros. E quando se chega ao final e se quer tirar a máscara não se sabe que face mostrar...

segunda-feira, 12 de março de 2007

Quote

O que é o amor ao lado de um bife com batatas fritas?

As Paixões de Júlia, Sommerset Maugham

sexta-feira, 9 de março de 2007

Na ausência...

quando mais te preciso
quando mais te desejo
quando mais te quero
quando perto de mim amo-te mais
no teu olhar paz
nos teus braços refúgio
no teu corpo prazer
em ti amor

Canoa

Procura o desassossego na monotonia que chegou... É lento o passar dos dias. É de dor a tristeza que traz no olhar. Não há margem em que possa ancorar. Aguarda que o mar amaine e possa fixar amarras em porto seguro.

quinta-feira, 8 de março de 2007

quarta-feira, 7 de março de 2007

Será saudade?

É fácil sentir saudade do que se viveu e soube bem... mas como se podem sentir saudades do que não se chegou a viver?
Não é a ansiedade pelo que se pode viver. É mesmo uma falta inexplicável. Daquela parcela precisa de tempo que foi interrompida a frio. Cortada por um estranho nevoeiro...

terça-feira, 6 de março de 2007

Quase...

Uma menina/mulher que conheço viveu há pouco tempo uma história. Tenta desabafar para... acho que o peso que carrega se torna mais leve...

"Já nada na minha vida faz sentido. Há dois meses que não o vejo. Tenho imensas saudades. Está a ser tão difícil. Apesar de ele me ter abandonado. Sinto-me tão sozinha. Como se pode apagar alguém do coração?"

Esperei sinceramente que a pergunta fosse retórica... Não sabia o que responder. Fiquei em silêncio a olhá-la enquanto chorava... Chorava como se não houvesse amanhã.Mas há. Há sempre um amanhã. Foi o que tentei explicar. Nestes momentos a impotência de fazer alguma coisa trespassa-nos com a mesma força do sofrimento de quem está ali. Tentei dizer que pelo menos uma vez na vida se sofre da doença de "coração partido", mas que é possível reagir e voltar a viver. O tempo há-de passar para ela, como já passou para ele. E o sentimento será apenas uma memória, que ela pode guardar no álbum junto com todas as lembranças que agora desfia vezes e vezes sem conta, para ela e para quem a ouve. Mas para que quer ela tempo agora? Se todo o tempo que tem é dor. E as palavras ficam vãs... E sobra a dor dela. E os soluços sentidos de quem tenta esquecer.

Apazigua-me saber que as lágrimas te vão limpar a ferida e o sal vai curar a cicatriz até nada mais restar senão a memória dos dias. Ainda não foi agora. Foi um quase amor que viveste. O coração volta a bater.

segunda-feira, 5 de março de 2007

mudanças...

não sei como nem porquê... Os dias não amanhecem como amanheciam. Não encontro uma razão para a mudança, mas, no entanto, está ali... Quase visível, quase palpável... quase dizível! E não se diz, não se toca, não se vê...
e mudam as horas e os dias e não muda o que se sente... assim...

Dormência

Entorpecem-se os sentidos.. Diminui a vontade... o corpo sem impulsos... enfraquece-se... mas não mais que por momentos...

sexta-feira, 2 de março de 2007

And silence becomes it...

Quando as palavras perdem o uso natural e se tornam arremesso... A mágoa aumenta no espaço vazio. Há sempre alguém que fica... remói as palavras ditas. As palavras não ditas.
A dor chega... No silêncio... A solidão...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Diz que sim...

- Hoje está um dia de Sol!
- Diz que sim...

O Sol irrompia já pela sala... Nunca percebi muito bem o uso desta expressão...
Estava Sol logo de manhã. É um facto.

Não preciso que me digam.
É a luz que invade o espaço, é o calor que me toca na pele!

É um novo dia!
Dizem que sim...